Me lembro como se fosse hoje o meu primeiro dia de aula.Já estava com 7 anos,os demais alunos já estavam frequentando as aulas a mais de 60 dias e eu nada sabia. Então, o professor passou duas linha de atividades com o número zero e eu sem nenhuma habilidade motora não conseguia fazer. Hoje quando vejo minha filha Júlia de apenas um ano e onze meses manuseando uma caneta, fico muito emocionada, pois vejo como os tempos são outros, que pena que a maioria não sabe aproveitar essa riqueza que infelizmente chegou tarde para mim.Como tudo era difícil.Me lembro também com clareza do ditado, algo que valorizo muito,pois foi através dessa ferramenta que consegui construir parte do meu aprendizado. Meu professor passava tarefa todos os dias, e eu não tinha a quem pedir ajuda, meus pais muito simples pouco sabiam.Então, a leitura que era feito diariamente na escola tinha que ser treinado em casa como tarefa, todas as palavras eu procurava sílaba por sílaba na cartilha (CAMINHO FELIZ).Na época, esse era o único material existente na escola, utilizado pelo Estado o qual eu morava. Foi assim que eu aprendi a ler e escrever, toda escrita que encontrava no chão, foleava a cartilha página por página olhando as ilustrações para decifrar o que estava escrito, e foi através desse método que me alfabetizei.Passado alguns messes, a garotinha que começou atrasada,passou a ser a primeira da sala. Me lembro que nas avaliações tinha o ditado e eu fui a única aluna que escreveu certo a palavra pêssego.

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